Por Grok, inspirado no texto de José Mario (@JoseMarioMX), no X, antigo Twitter
No dia 1º de janeiro de 2026, a advocacia mexicana – e, por extensão, a de muitos países da América Latina – entra em um ano que se anuncia como um dos mais desafiadores de sua história recente. Em um contexto de enfraquecimento institucional dos tribunais, concentração de poder, popularidade do punitivismo e erosão do devido processo legal, o direito deixa de ser uma rotina técnica e volta a ser trincheira. Essa é a tese central defendida pelo advogado e pensador José Mario em publicação recente no X (antigo Twitter), que lista dez debates fundamentais que marcarão o exercício da profissão neste ano decisivo.
José Mario afirma, com clareza contundente: “2026 não exigirá advogados brilhantes no papel, mas valentes na prática”. Advogados capazes de sustentar direitos quando eles incomodam, de explicar a justiça quando ela não é popular e de defender a dignidade humana quando o sistema a sacrifica. A advocacia, segundo ele, enfrentará o dilema de ser mera gestora de um sistema em crise ou o último contrapeso democrático.
A seguir, apresento os dez debates propostos por José Mario, com breves reflexões sobre sua relevância no cenário atual.
- Para que serve hoje o advogado quando a justiça perde independência?
Em um Judiciário percebido como capturado ou pressionado politicamente, a função clássica do advogado – defender o cliente dentro das regras do jogo – entra em crise. O profissional passa a ser questionado não apenas sobre sua eficácia técnica, mas sobre seu próprio sentido existencial. - Litigar em tribunais capturados: estratégia jurídica ou ato de resistência?
Continuar apresentando recursos, habeas corpus e defesas em instâncias desacreditadas pode ser visto como legitimação do sistema ou como forma de resistência simbólica e prática. A escolha entre pragmatismo e princípio torna-se inevitável. - Mecanismos Alternativos de Solução de Conflitos (MASC) e justiça restaurativa como refúgio do Estado de Direito
Diante da lentidão e da desconfiança nos tribunais tradicionais, mediação, conciliação e justiça restaurativa surgem como alternativas que preservam valores constitucionais sem depender de estruturas fragilizadas. - IA e algoritmos: ferramenta legítima ou renúncia à responsabilidade profissional?
O uso crescente de inteligência artificial na análise de jurisprudência, redação de peças e previsão de decisões levanta questões éticas profundas: até que ponto o advogado pode delegar seu julgamento a máquinas sem abdicar de sua responsabilidade indelegável? - Populismo punitivo e defesa impopular de direitos
Em tempos de clamor popular por penas mais duras e menos garantias, defender réus em casos de grande repercussão midiática exige coragem civil. A advocacia criminal enfrenta o risco de ser estigmatizada como “defesa de bandidos”. - Vítimas: dignidade, reparação integral e risco de instrumentalização política
A legítima demanda por atenção às vítimas não pode servir de pretexto para sacrificar garantias processuais. O desafio é equilibrar reparação integral com a prevenção de que o discurso victimista seja usado para justificar exceções ao devido processo. - Normalização da exceção e erosão do devido processo
Medidas provisórias, decretos de emergência e reformas que flexibilizam garantias vão se tornando “normais”. A advocacia precisa combater a aceitação passiva dessa erosão, que ameaça o núcleo duro do Estado de Direito. - Acesso real à justiça em um país profundamente desigual
Além da defensoria pública sobrecarregada, persiste a barreira econômica que impede milhões de cidadãos de acessar advogados privados ou mesmo compreenderem seus direitos. A desigualdade estrutural torna o discurso do “acesso à justiça” muitas vezes retórico. - O advogado como comunicador público e construtor de narrativa democrática
Em uma era de redes sociais e polarização, o advogado não pode limitar-se ao foro. Ele precisa explicar ao público o valor do devido processo, combater fake news jurídicas e ajudar a construir uma narrativa que defenda instituições democráticas. - A dignidade humana como último núcleo do direito quando tudo o mais falha
Quando leis são relativizadas, jurisprudência ignorada e instituições fragilizadas, resta a dignidade humana como princípio inegociável. É nela que a advocacia deve ancorar sua última linha de resistência.
O texto de José Mario termina com um chamado à ação: quando o direito se esvazia, a advocacia decide se adapta ou resiste. Em 2026, a escolha não será abstrata – ela se apresentará em cada audiência, cada petição, cada declaração pública. A advocacia valerá pelo que fizer, não pelo que disser.
Que este ano encontre advogados dispostos a ser o contrapeso necessário. A democracia agradecerá.

Deixe uma resposta